Depois da Greve Geral, há caminho








“A certeza de que, num futuro mais ou menos distante e contra os propósitos de quem cavou as derrotas, a certeza, sim, de que a vitória acabará por ser dos explorados e oprimidos’’

Margarida Tengarrinha


A greve geral do passado dia 3 de junho reforçou, mais uma vez, o descontentamento da maioria da população em relação ao pacote laboral do governo. Milhares de trabalhadores aderiram à greve convocada pela CGTP, paralisando transportes, fábricas, serviços e escolas. Esta demonstração de força popular aponta claramente o caminho que o governo deve seguir para ir ao encontro da vontade de quem trabalha.

No entanto, a greve geral não encerra esta luta. O caminho para a derrota do Pacote Laboral continua e exige que novos sinais de oposição e mobilização sejam dados. São vários os caminhos que devemos percorrer para reforçar esta luta e alcançar esse objetivo. Afinal, estamos perante um conjunto de medidas que ameaça fragilizar direitos laborais conquistados ao longo de décadas, representando um retrocesso que importa travar.

Desde logo, importa reforçar o sindicalismo, sindicalizando-nos e incentivando outras e outros trabalhadores a fazê-lo. A força dos sindicatos é fundamental para que a vontade das trabalhadoras e dos trabalhadores seja defendida. Quanto maior for a organização sindical, maior será a pressão sobre o governo para que considere as reivindicações de quem trabalha e para que o debate se torne mais equilibrado. Também os coletivos de trabalhadores devem ser fortalecidos, enquanto espaços de organização, solidariedade e intervenção.

Paralelamente, é essencial aprofundar a participação cívica através da assinatura de petições e abaixo-assinados relacionados com esta matéria, bem como da sua divulgação junto das nossas redes familiares, de amizade e de trabalho. Importa igualmente participar em ações de esclarecimento, formais ou informais, sobre as implicações do pacote laboral nos locais de trabalho, garantindo que os nossos colegas dispõem da informação necessária para formar uma opinião consciente e fundamentada.

Nenhuma destas formas de intervenção é suficiente por si só. É a conjugação entre organização sindical, participação cívica e mobilização popular que permitirá construir uma resposta social capaz de travar este ataque aos direitos de quem trabalha.

Por fim, regressamos ao ponto de partida: a rua. A participação em futuras manifestações e greves será decisiva para manter a pressão sobre o governo. É fundamental garantir que estes momentos sejam amplamente participados por toda a sociedade, reunindo estudantes, trabalhadores-estudantes, trabalhadoras, trabalhadores, reformados e pensionistas numa luta comum.

Será através do reforço de todos estes mecanismos que a vitória de quem trabalha poderá ser alcançada. Façamos desta luta uma vitória coletiva de quem trabalha.